Conferência Ministerial do Sínodo Rio dos Sinos aborda gestão de conflitos na vida comunitária

Ministros e ministras do Sínodo Rio dos Sinos estiveram reunidos em Conferência Ministerial no dia 18 de agosto, no auditório Ernesto Schlieper, da Faculdades EST, em São Leopoldo. Com o tema central “Gestão de conflitos na vida comunitária”, o encontro proporcionou momentos de reflexão, formação e diálogo sobre os desafios presentes nas relações ministeriais e comunitárias.

A programação iniciou com acolhida e reflexão conduzida pelo pastor sinodal, Carlos Eduardo Müller Bock. Ao introduzir o tema que orientaria o encontro, ele utilizou um vaso como símbolo das relações humanas: diante das pessoas participantes, quebrou o objeto. Ao final da Conferência, o vaso estava novamente inteiro, reparado com a técnica japonesa Kintsugi, que utiliza laca misturada com pó de ouro para restaurar peças de cerâmica.

Na técnica, as rachaduras não são escondidas. Pelo contrário, são destacadas e passam a fazer parte da história e da beleza singular da peça. A imagem serviu para refletir sobre os conflitos e as relações no cotidiano comunitário. “Como um vaso, nossas relações muitas vezes quebram. No entanto, não podemos deixar esfarelar estas relações, pois muitas vezes conseguimos colar este vaso e ele fica ainda mais bonito, com detalhes únicos que fortalecem nossas relações”, afirmou Bock.

Gestão de conflitos

Na sequência, a psicóloga e especialista em Cultura Organizacional Maria Inês Andreotti Pereira Lara conduziu a reflexão “Gestão de Conflitos na Vida Comunitária”. A abordagem buscou ajudar ministros e ministras a compreender melhor o que os conflitos revelam, além de apresentar caminhos para conduzir conversas difíceis com mais método e responsabilidade. “O conflito não é o contrário da comunhão. O contrário da comunhão é a incapacidade de atravessar conflitos com verdade, cuidado e responsabilidade”, destacou.

Segundo ela, a paz comunitária não deve ser compreendida simplesmente como ausência de tensões. “O barulho do conflito quase sempre revela uma fissura anterior: uma expectativa não dita, um papel confuso ou uma mudança sem escuta”, explicou. A reflexão também abordou a reconciliação a partir da perspectiva cristã. “A reconciliação cristã não começa quando fingimos que a rachadura não existe. Começa quando a comunidade encontra graça e coragem para enxergá-la”, afirmou.

Durante a formação, foram apresentadas cinco camadas que podem estar presentes nos conflitos comunitários: relação, relacionada ao que aconteceu entre as pessoas; comunicação, envolvendo aquilo que foi dito ou omitido; papel, que questiona se há clareza sobre a governança e as responsabilidades; poder, relacionado a quem possui capacidade real de decisão; e sentido, que busca compreender qual significado está em disputa.

Maria Inês também apresentou o método ESCUTA, como um roteiro pastoral para organizar diálogos difíceis. A proposta contempla seis movimentos: Estabelecer o campo; Separar fatos de interpretações; Compreender interesses; Usar escuta e reformulação; Trabalhar possibilidades; e Acordar e acompanhar. “Lidar com conflitos exige mais do que buscar soluções imediatas. É necessário compreender as diferentes dimensões envolvidas, criar espaços de escuta e construir caminhos que possibilitem o cuidado das relações e da própria comunidade”, sublinhou Maria Inês.

Direitos, deveres e autocuidado no ministério

No período da tarde, o pastor sinodal Carlos Eduardo Müller Bock abordou o tema “EMO (Estatuto do Ministério com Ordenação): uma abstração ou uma norma a ser cumprida”. A reflexão retomou diferentes aspectos do documento, especialmente aqueles relacionados aos direitos e deveres de ministros e ministras. A partir do documento, foram destacados elementos que contribuem para estabelecer parâmetros nas relações ministeriais e comunitárias, prevenindo conflitos entre colegas e também nas relações com as comunidades.

O pastor sinodal também relacionou o EMO à importância do cuidado com a saúde mental e a qualidade de vida no exercício do ministério. “Precisamos organizar nossas atividades e nossa agenda para termos qualidade de vida no campo ministerial. É de suma importância que ministros e ministras tenham autocuidado para poder cuidar das pessoas que lhes são confiadas”, ressaltou.

Texto e fotos: Édson Luís Schaeffer/Comunicação Sínodo Rio dos Sinos