07 de Outubro de 2014

Mensagem do 30º Congresso da Rede Sinodal de Educação

Mensagem do 30º Congresso da Rede Sinodal de Educação

Terça-feira, 07 de Outubro de 2014

 

IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL - IECLB

 30º CONGRESSO DA REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO

22 a 24 de julho de 2014 – Porto Alegre, RS

 

MENSAGEM

Escola Luterana – Espaço de Cuidado

  1. A REDE SINODAL DE EDUCAÇÃO, expressão da educação formal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB, reunida em seu 30º Congresso da educação básica, na cidade de Porto Alegre, RS, de 22 a 24 de julho de 2014, saúda todos os congressistas e demais colaboradores das escolas filiadas, além de saudar todos os integrantes das comunidades escolares, das demais entidades envolvidas com educação, das autoridades educacionais e da sociedade em geral.

 

  1. O debate em torno do tema “Escola Luterana – Espaço de Cuidado” é um claro indicativo do compromisso da entidade com a superação do impasse educacional que se manifesta na pouca valorização, na massificação, nas desigualdades regionais e na mercantilização da educação, que se abate sobre o Brasil nestes tempos de muitas propostas e de poucos resultados efetivos na eliminação dos entraves que aprisionam parte da população brasileira à mediocridade, à obscuridade e à falta de condições para competir em um contexto de alta complexidade.

 

  1. As instituições que integram a Rede Sinodal de Educação se empenham no cumprimento de sua missão educativa neste país e se sentem comprometidas com o futuro da nação, com a certeza de que estão contribuindo, nos seus limites, para a promoção e o desenvolvimento da sociedade brasileira, com atenção especial às diretrizes da educação evangélico-luterana e às diretrizes e metas do Plano Nacional de Educação(PNE) do país, com vigência a partir de 26 de junho último, data em que foi sancionado pela Presidente da República.

 

  1. As diretrizes do Plano Nacional de Educação são estímulo e compromisso da Rede Sinodal de Educação na parceria com o poder público nesse desafio de colocar o país em novos patamares sociais e éticos, na esperança e na perspectiva de que a sociedade brasileira possa entender a educação como uma alavanca essencial para o cultivo de valores, de novas condutas, de novas atitudes e de novas práticas na construção de uma cultura do cuidado.  

 

  1. Das diretrizes destacadas no novo Plano Nacional de Educação, a Rede Sinodal de Educação entende que pode colocar-se como parceira do poder público na consecução de uma nova educação por ele preconizada, identificando-se de forma especial com as seguintes: I – a erradicação do analfabetismo; II – a universalização do atendimento escolar; III – a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; IV – a melhoria da qualidade da educação; V – a formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; VII – a promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País; IX - a valorização dos (as) profissionais da educação; X - a promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental.

 

  1. A Rede Sinodal de Educação assume a firme crença de que a qualidade educativa não consiste apenas na utilização da tecnologia sem qualquer compromisso com a promoção do ser humano envolvido; acredita que o segredo está na humanização da relação entre professor e aluno, eventualmente mediada por recursos tecnológicos em situações especiais, sempre que isso puder ser colocado a serviço da mobilização e da promoção dos aprendentes envolvidos.

 

  1. Para a Rede Sinodal de Educação, que se fundamenta em princípios evangélico-luteranos, educação é expressão de cuidado, que se faz com cuidado, um cuidado que significa ocupar-se com responsabilidade por aquele que vive e convive conosco. Trata-se de um cuidado que pressupõe uma ação tríplice: conhecer bem o que se cuida, estar disposto à possibilidade e envolver-se afetivamente. Um cuidado que não permite acomodação e a passividade, mas que incentiva e que acolhe as partes envolvidas, que apostam em novos futuros e em novos mundos possíveis.

 

  1. O projeto da Rede Sinodal de Educação privilegia, em primeiro lugar, a formação de seres humanos, criados por Deus, cidadãos comprometidos com a vida, sustentada no princípio do cultivo do cuidado, como caminho para a construção de uma vivência do amor, da justiça e da paz, na convicção de que isso se concretiza nas práticas pedagógicas diárias resultantes da relação entre professor e aluno em um contexto favorável.

 

  1. Segundo Débora Raquel Klesener Conrad (painelista), o cuidado na escola passa pela postura de cada pessoa que integra o ambiente escolar. É na relação com o outro que o cuidado se manifesta e se fortalece. Esta postura desencadeia outras relações de cuidado que podem, inclusive, transcender os muros da escola. Nesse sentido, o espaço escolar tem um importante papel na semeadura de uma nova cultura que brota a partir de pequenos gestos do dia a dia. Atentos e atentas à prática de Jesus, que tão bem cuidou e acolheu, podemos aprender uma “atitude de cuidado”, pois ele expressou de maneira concreta e visível o cuidado consigo e com o próximo.

 

  1. Pedro Savi Neto (painelista) entende o conceito de justiça como sendo intimamente ligado e indissociável da noção de ética enquanto instância de construção do humano pela sua responsabilidade pelo outro, conduzindo a uma inevitável reflexão sobre o direito e suas possibilidades de oferecer efetiva proteção à criança e ao adolescente, indivíduos mais vulneráveis da sociedade. Em um contexto de crise do sentido de humanidade e de exacerbado individualismo, a existência de uma extensa legislação nacional sobre o tema não parece ser suficiente para garantir aos infantes o cuidado necessário para o seu desenvolvimento saudável. Nesse sentindo, cumpre realizar uma reflexão radical sobre o direito e os seus limites de possibilidade.

 

  1. Para Julio Cesar Walz (painelista), cuidar é uma arte. O seu ofício requer um desprendimento da realidade para que sobre ela possamos projetar a imaginação e criar alternativas de solução. A realidade bruta não nos oferece saída. Ela é crua, contundente e imperiosa. Para vivermos com arte ou para cuidarmos, temos a necessidade de imaginar, justamente para que possamos operar com esperança e efetividade.

 

  1. O Professor Miguel G. Arroyo (palestrante) traz uma reflexão sobre o papel da educação e da ética na gestão de pessoas para a sustentabilidade, mantendo como referência possibilidades e limites. Questiona a política pedagógica que é adotada na gestão e na formação de pessoas nas funções culturais e econômicas de uma empresa, além de fazer uma análise das funções contextualizadas, como economia globalizada, movimentos sócio-globalizados, unidade e diversidade. Nesse universo, se pergunta sobre as dimensões a serem privilegiadas na gestão formadora de pessoas – formação humana plena, cidadania, direitos do trabalho, crises do trabalho e direitos ameaçados.  Valores, ética, cultura, formação e sustentabilidade são condições para que a igualdade na diversidade cultural possa alcançar êxito.

 

  1. O Teólogo e Professor Leonardo Boff (palestrante) faz uma reflexão crítica profunda a respeito do cuidado, tendo como objeto de análise o ser humano, o Planeta Terra e a questão ambiental. O ser humano, ser pensante, habita o Planeta Terra e nele vai constituir o meio ambiente. O cuidado que se espera do ser humano para com o manuseio dos bens naturais não acontece de forma adequada, e isso causa um desequilíbrio ambiental. A causa maior, possivelmente, seja o fato de o ser humano não conhecer bem a si mesmo. A cultura materialista, o consumismo exagerado, a prevalência do ter sobre o ser acabam afetando a questão ambiental. Boff sugere uma nova relação do ser humano para com ele mesmo e dele com a Terra e seus bens naturais, o que deve também garantir um meio ambiente de qualidade, que possa garantir VIDA a todos os seres deste planeta.  

 

  1. As conferências, o painel, os minicursos, os compartilhamentos e as atividades em grupos de reflexão constituíram um mosaico de abordagens que bem caracterizam o jeito luterano de lidar com os grandes temas da educação brasileira, reafirmando e fortalecendo a contribuição das escolas integrantes da Rede Sinodal de Educação para a educação brasileira.

 

  1. Os mil participantes do 30º Congresso da Rede Sinodal de Educação se sentem comprometidos com um projeto de educação de qualidade, certos de sua contribuição para a promoção e o desenvolvimento do ser humano na sociedade global com responsabilidade e compromisso com o cuidado da vida em sua plenitude, na tentativa de garantir a qualidade de vida e a dignidade humana.

 

  1. Consideram que estão diante de uma tarefa complexa, fundamental para o desenvolvimento de aprendizagens, condutas, valores e vivências, cuidando de si mesmos, com base no pressuposto de que cuidar de si é condição para cuidar do outro, com um olhar voltado para a diversidade na esfera da educação.  Sentem-se comprometidos com todos aqueles que necessitam do cuidado do outro, em todos os sentidos, inclusive com o meio ambiente.

 

  1. A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, através das escolas e dos professores que atuam na Rede Sinodal, vive a esperança e a expectativa de estar contribuindo para a construção, no Brasil, de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais humana, mais cuidadora e mais cuidada, plantando a cada dia muitas macieiras, regando-as de forma adequada, para que possam dar muitos e valiosos frutos.

Porto Alegre, 24 de julho de 2014

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