Deus de misericórdia

Ele tinha dois meses quando chegou ao abrigo. Veio porque a mulher que o gerou não tinha condições de cuidar dele. Há algo pior do que separar-se da mãe? Sim. Foi diagnosticado com Aids. Era um menino lindo. A pele rosada não indicava a doença grave que ameaçava a sua saúde.  Ficou doente e foi hospitalizado em Porto Alegre. Ele nasceu com uma carga viral muito alta. A mulher que o gerou não quis tomar os remédios que poderiam trazê-lo ao mundo sem nenhum resquício da doença dela. As pessoas que creem em Deus ligadas à ABEFI oraram por ele pedindo a misericórdia de Deus.

Qual foi o seu sentimento quando você leu história real de um menino acolhido num abrigo da ABEFI em Novo Hamburgo? Pena? Tristeza? Uma sensação estranha no peito? Conseguiu colocar-se no lugar dele?

O nosso Deus é um Deus misericordioso. Separada de Deus a humanidade não tinha condições de restabelecer a aliança com Ele pelo seu esforço. Deus viu o sofrimento das pessoas e suas vãs tentativas de se sentirem amadas por Ele.  Ele teve misericórdia. E Jesus veio ao mundo.

Em Cristo, Deus vem para dentro deste mundo e se compadece da situação humana, envolta em pecado, sofrimento, opressão, vaidade, desejos de poder, medo da morte... Um momento de Jesus neste mundo, narrado em Lucas 19.41-42, revela o coração misericordioso de Deus: “Quando Jesus chegou perto de Jerusalém e viu a cidade, chorou com pena dela e disse: —Ah! Jerusalém! Se hoje mesmo você soubesse o que é preciso para conseguir a paz! Mas agora você não pode ver isso”. As lágrimas de tristeza de Jesus revelam o que se passa no coração de Deus. Só quem sente no seu coração a dor do outro derrama lágrimas de tristeza, como Jesus derramou vendo a insensibilidade do povo de Jerusalém. É miséria do outro doendo no coração de Deus! 

Deus respondeu à oração pelo menino. A resposta à nossa oração! Em quatro meses, o nosso menino acolhido foi mais algumas vezes ao hospital. Mas, então, a nossa oração foi ouvida e a misericórdia de Deus se fez presente. Um casal adotante, há anos na fila de espera, chegou ao lar para uma visita. Estavam informados pelo juizado de que o menino tinha Aids. Eles olharam embevecidos para o menino e o abraçaram. É o nosso filho! Nós vamos amá-lo como nunca foi amado. Vamos cuidar dele para sempre. A nossa oração foi atendida, e hoje temos notícias de uma família feliz e de um menino que encontrou amor, encontrou misericórdia.

Se recebemos a misericórdia de Deus devemos olhar com misericórdia para todos aqueles que vivem em miséria humana. Não tenha pena! Pena imobiliza! Misericórdia ganha a força do coração e mobiliza para uma ação em direção ao outro! Que Deus nos abençoe com a sua misericórdia e nos faça misericordiosos! E que sejamos impulsionados para os que sofrem e que precisam sentir a misericórdia de Deus para viver com gratidão e comunhão com Cristo.


P. Carlos E. M. Bock

P. Sinodal – Sínodo Rio do Sinos.


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