Olhar para a frente

“Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62)

Eu lembro que, em minha adolescência, lavrei com arado de bois. Plantávamos arroz para consumo.  A área era pequena, mas lavrá-la com arado de bois  era dureza.  E, por isso, afirmo:  Jesus tinha razão! Quando os bois começam a puxar,  não dá para olhar para trás. É preciso manter a lâmina cravada no solo. Cuidar da direção, olhar onde pisa, identificar obstáculos. A tarefa exige habilidade do lavrador. É preciso pressionar os cabos do arado contra o solo. As mãos doem. Não dá, mesmo,  para olhar para trás!

Jesus usa essa metáfora para falar do Reino de Deus. Quem começa uma caminhada de fé em Cristo não pode olhar para trás. No texto de Lucas 9.57-62, o evangelista Lucas narra o diálogo de pessoas que queriam seguir Jesus. Jesus convida-as a segui-lo. Elas querem,  mas no momento de dar a resposta definitiva a Jesus, voltam atrás. O primeiro disse convicto que queria seguir Jesus. Chegou a dizer que estava pronto para segui-lo por onde ele fosse. Mas as circunstâncias reveladas por Jesus para segui-lo o assustaram.  Ele  desistiu por causa das  dificuldades. O outro, ao receber o convite de Jesus, queria esperar a morte do pai. Seguiria Jesus depois desse evento na família, que poderia demorar. O terceiro queria se despedir da família. Os motivos do adiamento da adesão ao convite de Jesus apresentados pelos convidados dele levam Jesus a dizer que aquele que quer segui-lo não pode olhar para trás.

No Sínodo Rio dos Sinos temos muita gente que já botou a mão no arado. Ministros e ministras, lideranças comunitárias em diretorias e em grupos das comunidades, ocupantes de cargos no Conselho Sinodal e na Diretoria Sinodal. Tem muita gente servindo ao Senhor! Vivem o servir engajados em semear sinais do Reino, sendo sal e luz na área do Sínodo Rio dos Sinos. São as pessoas imprescindíveis, que não olham para trás!

Até aqui aramos um bom pedaço da nossa caminhada sinodal. Aqueles que araram até aqui não olharam para trás. Fizeram um bom trabalho em arar e semear o solo do nosso Sínodo.

Alguma coisa mudou? Estamos num outro tempo. A sociedade e as pessoas estão mais longe de Deus e da sua verdade. O solo está endurecendo. Avistam-se muitas pedras e obstáculos. Tem gente olhando para o solo e deixando-se vencer pelas dificuldades.  Diminui o número de trabalhadores e trabalhadoras. Mesmo assim, tem muita gente com a mão no arado. Pessoas que aceitaram o convite de Jesus de segui-lo em qualquer circunstância.

Agora, neste momento do nosso Sínodo,  pessoas eleitas aceitaram o desafio de segurar o arado e arar a terra sem olhar para trás.  É importante que tenhamos a convicção de que podemos continuar firmes com a mão no arado. Vamos realizar a nossa função de lavradores e lavradoras. Não vamos dar desculpas para não assumir a parte da tarefa que Jesus nos deu. Juntos,  vamos  em frente. Continuaremos  arando o solo, semeando a palavra.  O Senhor fará germinar a semente no tempo certo.

Aceitar o convite de Jesus para segui-lo sem olhar para trás é assumir a sua missão. Ele entendeu sua missão como: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,  e para proclamar o ano aceitável do Senhor”. Lucas 4:18,19

É para a missão recebida por Cristo e assumida por ele que queremos pôr a mão no arado! E quando não tivermos forças, o Senhor nos sustentará. Jesus nos chamou. Não olharemos para trás, mas para frente, no desafio de arar bem a terra e de semear a semente para que o nosso Sínodo viva a missão que Cristo nos confiou.

P. Carlos Eduardo Müller Bock

Pastor Sinodal  

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